sábado, 20 de fevereiro de 2010

"The Cove"

Tudo tem limites. É algo que sabemos institivamente. Mas hoje descobri que há uma coisa que parece não ter: a crueldade.

"The cove" é um documentário realizado por Louie Psihoyos que, certamente, irá fazer com que muita gente saía do cinema com lágrimas nos olhos e revolta no coração. O quanto esses sentimentos de tristeza, choque e revolta irão perdurar nessas pessoas eu não sei. Mas irão, eventualmente, desaparecer. Afinal, não podemos fazer nada, ninguém pode mudar o mundo e isso, afinal, acontece lá tão longe no Japão… Mas a realidade é que continuarão a ser mortos 23 mil golfinhos e botos por ano com recurso a a redes e a arpões afiados no Japão, a maior parte em Taiji, numa enseada que faz parte de um parque natural.


Para além, de serem mortos pela sua carne, inúmeros golfinhos são também capturados para serem levados para parques aquáticos em todo o mundo. Ric O'Barry foi, nos anos 60, treinador dos 5 golfinhos que participaram na famosa série televisiva Flipper que desencadeou uma indústria multibilionária através do cativeiro de milhares de golfinhos utilizados como entretenimento em parques aquáticos em todo o mundo. A estes golfinhos dão-se Tagamet e Maalox que são medicamentos usados no tratamento de úlceras gástricas as quais os golfinhos em cativeiro estão sujeitos devido ao stress. Stress esse provocado, por exemplo, por uma multidão eufórica aos gritos mais um sistema de som particularmente sonoro que acompanha todos esses espectáculos tendo estes animais ouvidos ultra-sensiveis. Agora, Ric O'Barry dedica-se, em conjunto com um pequeno grupo de corajosas pessoas, a tentar derrubar uma indústria que ele próprio ajudou a criar, arriscando a sua vida e sendo preso continuamente.

Hoje percebi também que, neste caso, gostava que este blog fosse um daqueles com postagens lidas por centenas de leitores e com milhares de comentários. Porque prefiro, afinal, não acreditar que a crueldade humana não tem limites, mas sim a sua incapacidade para VER.


Ric O' Barry

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Done.


3 dossiers. 6 sebentas. 2 livros. 5,05 GB em DVDs. 41 dias. 7 cadeiras. 11 exames. Done (finally!).

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Um abandono com motivo

Não sendo uma pessoa particularmente faladora, irritam-me os silêncios.
Desilude-me não ter nada para dizer a uma pessoa nem ela a mim.
Chateiam-me as conversas banais, mortas de significado algum.
Enfurecem-me as palavras que ficaram por dizer e sentir.
E entristece-me profundamente o abandono de alguma coisa.
Como este blogue por exemplo. Mas, ao menos, que alívio, para este abandono há um motivo. E chamam-se noites pequenas e mal dormidas e dias longos submersa em livros. Suspirando como que tentando arranjar mais espaço na memória. Esfregando os olhos à frente de uma chávena de café vazia. E depois aquelas 2 horas que resumem tudo isso e mais um semestre inteiro. Exames.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Vontade de reencarnação

Este video é de uma actuação da Lisbon Film Orchestra no Parque Mayer no final deste Verão. Hoje faz precisamente um ano que fiquei a conhecer esta orquestra e até agora já (ou)vi três concertos. Dão-me vontade de acreditar na reencardanação e seria eu quem, numa outra vida, estaria ali numa noite de Verão com o meu vestido preto a fazer chorar aquele violino numa das mais belas músicas de sempre e a senti-lo como parte de mim.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Muse 29.11.09



Aping my soul,
You stole my overture,
Trapped in God's program,
Oh I can't escape

Who are we?
Where are we?
When are we?
Why are we?
Who are we?
Where are we?
Why, why, why?


I can't forgive you,
And I can't forget

Who are we?
Where are we?
When are we?
Why are we in here?

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

"Os cães de Babel", de Carolyn Parkhurst

Demoro sempre imenso tempo a escolher um livro. No dia em que comprei este livro, não foi diferente: tive mais de meia hora com dois livros na mão a tentar escolher qual levar. Quando, finalmente, me levanto ainda indecisa para ir pôr um livro de volta à prateleira e levar o outro reparei neste livro. Parei, li a contracapa e uma página ao acaso ainda duvidei mas acabei por pegar nele, esquecer-me dos outros dois livros ali mesmo e ir pagar. Não me arrependo.


"Isto é o que sabemos, aqueles de nós que podem falar para contar a história: Lexy não saltou. Os ferimentos que sofreu na queda, a maneira como os seus ossos quebraram e os danos provocados aos órgãos, o derrame fortuito do sangue na terra, disseram-nos isso. Mas talvez, e é aqui que sinto faltar-me a respiração, talvez ela se tenha deixado cair. Ela tinha a escolha do dia, e talvez naquele momento no cimo da árvore, ao olhar para baixo e ver o jardim, o mundo, a sua vida, estendidos por baixo dela, talvez tenha escolhido mergulhar neles de cabeça. Talvez tenha visto diante de si uma vida inteira a caminhar pela terra em ruínas e tenha escolhido antes um único momento no ar."

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A moeda

"Repara bem. A vida olhada como uma moeda. Nada de mais redondo, conclusivo, perfeito. Simétrico.
Olha pois. Amacia-a entre os dedos, sente-lhe o peso, avalia as possibilidades.
Escolhe uma face ou deixa que uma face te escolha.

Olha pois. E de um lado tens."

in "A casa quieta", Rodrigues Guedes de Carvalho

E cai com estrondo a moeda na mesa. Gira sobre si própria. Rebola para longe. Vai mostrando ora uma face ora outra. Mais uma vez gira sobre si própria. Anda mais um pouco. Rebola. Uma face. A outra. E eis que nem uma nem outra. Fica a moeda erguida de lado.
Mas ainda balança! Talvez caía para um lado. Ou talvez para o outro. Não. Perde-se o balanço. Mantém-se erguida de lado a moeda imóvel. Nem dá para perceber assim que valor tem. A moeda sou eu.