
Querido Pai Natal,
O que eu vou querer para este Natal é voltar a acreditar em ti. Voltar a acreditar que algures, numa terra distante, existe uma pequena casinha de madeira com neve no telhado e umas belas rendas á porta, onde vive um senhor muito velhinho e barrigudo com os seus pequenos duendes muito atarefados a embrulhar as últimas prendas. E no meio desse enorme monte de prendas coloridas e dos mais diversos tamanhos estão as minhas (eu que este Natal não cheguei a pedir prenda nenhuma. Já sei que me só me vão dar dinheiro: “Olha não é muito que isto da crise já sabes... mas assim podes comprar aquilo que precisares e prontos”. E prontos problema resolvido.)
Só queria acreditar que talvez agora, Pai Natal, estivesses já a carregar todas essas prendas para o teu trenó onde vais percorrer o mundo e entregá-las aos meninos e meninas de todos os países (odeio a geografia que diz que o mundo não se pode percorrer apenas numa noite, odeio a biologia para a qual as renas não voam e odeio a lógica que me parece gritar as ouvidos que todas as prendas do mundo não podem caber num trenó).
Só queria voltar a riscar os dias no calendário que faltam para o dia 25 (e não desejar que o tempo parasse durante um mês ou dois: talvez assim me conseguisse preparar como deve de ser para os 9 exames que vou ter em Janeiro).
E acordar todos os dias de manhã com músicas de Natal nos ouvidos (agora só me lembro delas nos centros comerciais cheios de gente aos encontrões e comento com alguém que o disco é sempre o mesmo).
E passear de mão dada com a minha mãe pelas ruas de Lisboa aos saltos e com os olhos presos nas mil luzinhas brilhantes que cintilam lá no alto dos postes (sem pensar em aquecimentos globais, má gestão dos dinheiros públicos e nos mendigos sentados por debaixo dos postes com as mão estendidas).
E ficar na noite de Natal tempos infinitos no sofá, enrolada no roupão, a olhar para a árvore à espera de um barulho qualquer vindo da chaminé e um “ho-ho-ho” distante (e não a mandar e a receber sms com medo de me esquecer de alguém) para depois acabar por adormecer.
Só queria voltar a acordar de manhã e ir a correr para a árvore de pijama e descalça desembrulhar os meus presentes e lançar gritinhos de felicidade e suspresa (e não a abrir envelopes, a contar dinheiro e pensar que é melhor guardar a maior parte porque isto agora com a crise...).
E passar o resto do dia a brincar, a rir e a roubar doces e pinhões da mesa (e não a pensar que dali a duas semanas vão estar a fazer o exame teórico-prático de Anatomia I).
Como vês Pai Natal até que não peço muito... No fundo, gostava apenas de desejar Feliz Natal a todos aqueles que me rodeiam. Mas já nem isso gosto de fazer pois já nem sei bem do que estou a falar...