20/04/09
6h30 O despertador toca. Ela adormece. Perde o 1º autocarro. Perde o 2º autocarro. Chega atrasada à aula de anatomia. Os cadáveres congelados arrefecem-lhe as mãos. Avaliação oral. Dos 22 músculos da aula desse dia, esquece-se do nome de 2. Chumbada. Aula de Histologia. Tem um colega, ao seu lado, que faz imensas perguntas ao professor. Pensa que gostava de ter, pelo menos, um quinto do seu entusiasmo. Aula de Embriologia. Mais 40 slides de matéria. Aula de Bioquimica II. Por incrivel que pareça consegue ser ainda mais dificil que a primeira. Volta a apensar que este é, de facto, o curso que sempre quis. Mas talvez não seja apenas a pessoa certa para ele…
13h Fila do almoço. Comentam sempre que é enorme… Almoço. Fala-se de um concerto para breve de uma colega, de uma exibiçao de capoeira no fim-de-semana passado de outro colega e do exame de código marcado para amanhã de outro. Ela ouve, não tem nada a acrecentar.
14h 1ª aula da tarde. Aos 20 minutos adormece. Acorda de cada vez que se sente a escorregar da cadeira. Ou quando um colega lhe dá um toque no braço e se ri. O professor olha para ela e franze a testa. 2ªa aula da tarde: Zootecnia Geral. É a cadeira que mais gosta. Mas os colegas nãem por isso Torna-se dificil ouvir a voz baixa do professor por entre o ruído das conversas.
16h Perde o autocarro dessa hora por pouco. Não valia a pena terem corrido. Fala-se dos 7 trabalhos para entregar no mês que vem. Suspira-se. Aparece o autocarro. Refila-se que vem sempre cheio. Volta a falar-se dos trabalhos. Um miudo faz birra. Uma senhora idosa descreve às outras duas todas as operações que já teve qua fazer. Agora fala-se mal dos professores de Anatomia. Mas até esse assunto se gasta. Silêncio até que ela diz o "até amanhã" do costume aos colegas e saí aliviada na paragem de autocarro.
16h50 Agora falta apanhar o 2º autocarro. A fila de espera já vai grande. Mas consegue arranjar lugar sentada. Trânsito. A bateria do mp3 vai-se. Resta-lhe a (horrível) música kizomba de um rapaz sentado atrás de si.
17h30 Chega a casa. Lancha. Estuda. Toma banho de água morna porque al mãe se esqueceu de encomendar o gás. Janta. Adormece no sofá a ver uma série. O irmão acorda-a dissendo que sala não é sitio para se dormir. Vai preparar as coisas para o dia seguinte. Vai para cama.
27/04/09
Hoje ela não adormeceu mas o 1º autocarro teve um furo. Voltou a chegar atrasada. Enervou-se na aula de anatomia e cortou um músculo que não devia. O professor não fez avaliação mas anotou a falha. O resto do dia foi basicamente igual ao da semana passada.
Mas, apesar de tudo isso, hoje foi para ela um bom dia. Bastou uns olhos azuis que raramente vê, um sorriso, um “olá” e uma boa conversa no autocarro. Porque estas “desgraças” todas podem ser muito engraçadas quando partilhadas com as pessoas certas. E sabe sempre bem saber das “desgraças” dos outros também. Ou simplesmente ter sempre assunto de conversa.
Afinal, não sou uma pessoa triste nem complicada. Para um dia ser bom basta-me apenas um sorriso, um “olá” e uma boa conversa...
6h30 O despertador toca. Ela adormece. Perde o 1º autocarro. Perde o 2º autocarro. Chega atrasada à aula de anatomia. Os cadáveres congelados arrefecem-lhe as mãos. Avaliação oral. Dos 22 músculos da aula desse dia, esquece-se do nome de 2. Chumbada. Aula de Histologia. Tem um colega, ao seu lado, que faz imensas perguntas ao professor. Pensa que gostava de ter, pelo menos, um quinto do seu entusiasmo. Aula de Embriologia. Mais 40 slides de matéria. Aula de Bioquimica II. Por incrivel que pareça consegue ser ainda mais dificil que a primeira. Volta a apensar que este é, de facto, o curso que sempre quis. Mas talvez não seja apenas a pessoa certa para ele…
13h Fila do almoço. Comentam sempre que é enorme… Almoço. Fala-se de um concerto para breve de uma colega, de uma exibiçao de capoeira no fim-de-semana passado de outro colega e do exame de código marcado para amanhã de outro. Ela ouve, não tem nada a acrecentar.
14h 1ª aula da tarde. Aos 20 minutos adormece. Acorda de cada vez que se sente a escorregar da cadeira. Ou quando um colega lhe dá um toque no braço e se ri. O professor olha para ela e franze a testa. 2ªa aula da tarde: Zootecnia Geral. É a cadeira que mais gosta. Mas os colegas nãem por isso Torna-se dificil ouvir a voz baixa do professor por entre o ruído das conversas.
16h Perde o autocarro dessa hora por pouco. Não valia a pena terem corrido. Fala-se dos 7 trabalhos para entregar no mês que vem. Suspira-se. Aparece o autocarro. Refila-se que vem sempre cheio. Volta a falar-se dos trabalhos. Um miudo faz birra. Uma senhora idosa descreve às outras duas todas as operações que já teve qua fazer. Agora fala-se mal dos professores de Anatomia. Mas até esse assunto se gasta. Silêncio até que ela diz o "até amanhã" do costume aos colegas e saí aliviada na paragem de autocarro.
16h50 Agora falta apanhar o 2º autocarro. A fila de espera já vai grande. Mas consegue arranjar lugar sentada. Trânsito. A bateria do mp3 vai-se. Resta-lhe a (horrível) música kizomba de um rapaz sentado atrás de si.
17h30 Chega a casa. Lancha. Estuda. Toma banho de água morna porque al mãe se esqueceu de encomendar o gás. Janta. Adormece no sofá a ver uma série. O irmão acorda-a dissendo que sala não é sitio para se dormir. Vai preparar as coisas para o dia seguinte. Vai para cama.
27/04/09
Hoje ela não adormeceu mas o 1º autocarro teve um furo. Voltou a chegar atrasada. Enervou-se na aula de anatomia e cortou um músculo que não devia. O professor não fez avaliação mas anotou a falha. O resto do dia foi basicamente igual ao da semana passada.
Mas, apesar de tudo isso, hoje foi para ela um bom dia. Bastou uns olhos azuis que raramente vê, um sorriso, um “olá” e uma boa conversa no autocarro. Porque estas “desgraças” todas podem ser muito engraçadas quando partilhadas com as pessoas certas. E sabe sempre bem saber das “desgraças” dos outros também. Ou simplesmente ter sempre assunto de conversa.
Afinal, não sou uma pessoa triste nem complicada. Para um dia ser bom basta-me apenas um sorriso, um “olá” e uma boa conversa...
